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Fonte: Revista Veja - http://veja.abril.com.br/180505/p_054.html
Brasil O
homem-chave do PTB O caso que se vai ler e ver (e
ouvir em www.veja.com.br) é um microcosmo da corrupção
no Brasil. Dá arrepios pensar que a mesma coisa está ocorrendo
agora em milhares de outras repartições, prefeituras, câmaras
municipais...  Por Policarpo
Junior
Mauricio Marinho, diretor dos Correios, foi
filmado e gravado embolsando um pacote de dinheiro dado por um corruptor
Assista ao trecho: 56k
| 100k | 200k
 | | O
deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, e Marinho, o corrupto pego com
a mão na massa: "acertos" |
Maurício
Marinho A gente procura agora ter muito
cuidado com telefone, falar o mínimo possível. (...) Uns têm
escritório, a gente vai direto no escritório. Para evitar conversa,
para evitar problema. Interlocutor 1
É que eu achei que era o contrário. Eu achei que ia ser problema
entregar aqui o dinheiro. Maurício Marinho
Aqui é mais seguro que lá fora, aqui não tem problema.
(Nisso, um dos interlocutores saca o dinheiro
e estende o maço a Maurício Marinho, enquanto outro interlocutor
explica o significado desse pagamento.) Interlocutor
2 Eu queria trazer para você o valor inteiro... Maurício
Marinho Entendi, entendi. Interlocutor
2 É só para assegurar aquela conversa que a gente tá
tendo... Maurício Marinho Tá
jóia! Interlocutor 2 É
uma questão até de estratégia, você vai entender isso.
(...) Agora fica mais simples a gente fazer o resto. Entenda isso como um sinal,
um agradecimento à boa vontade. Maurício
Marinho Não tem erro. | |
Há uma cena recorrente
na política nacional: são os políticos disputando, com unhas
e dentes, a ocupação de cargos em todos os níveis de governo,
da Esplanada dos Ministérios às câmaras municipais. Agora
mesmo, uma parte do PMDB tem feito tudo para complicar a vida do Palácio
do Planalto porque não conseguiu emplacar seu candidato a diretor de engenharia
da Eletronorte, uma das grandes estatais elétricas do país, cujo
patrimônio chega perto de 10 bilhões de reais. Por quê? Por
que os políticos fazem tanta questão de ter cargos no governo? Para
uns, o cargo é uma forma de ganhar visibilidade diante do eleitor e, assim,
facilitar o caminho para as urnas. Para outros, é um instrumento eficaz
para tirar do papel uma idéia, um projeto, uma determinada política
pública. Esses são os políticos bem-intencionados. Há,
porém, uma terceira categoria formada por políticos desonestos que
querem cargos apenas para fazer negócios escusos cobrar comissões,
beneficiar amigos, embolsar propinas, fazer caixa dois, enriquecer ilicitamente.
Quem tem intimidade com o poder em Brasília sabe que esses casos não
são exceção e em alguns bolsões de corrupção
são até mesmo a regra. Raro, mesmo, é flagrar um deles em
pleno vôo. Foi o que VEJA conseguiu na semana passada.
Há
um mês, dois empresários estiveram no prédio central dos Correios,
em Brasília. Queriam saber o que deveriam fazer para entrar no seleto grupo
de empresas que fornecem equipamentos de informática à estatal.
Foram à sala de Maurício Marinho, 52 anos, funcionário dos
Correios há 28, que desde o fim do ano passado chefia o departamento de
contratação e administração de material da empresa.
Marinho foi objetivo na resposta à indagação dos empresários.
Disse que, para entrar no rol de fornecedores da estatal, era preciso pagar propina.
"Um acerto", na linguagem do servidor. Os empresários, sem que Marinho
soubesse, filmaram a conversa. A fita, à qual VEJA teve acesso, tem 1 hora
e 54 minutos de duração. É uma aula de corrupção,
arrematada por uma cena lapidar: os empresários, a título de adiantamento
de propina, colocam sobre a mesa um maço de 3 000 reais, Marinho pega o
bolo de dinheiro, olha rapidamente e, sem conferir, coloca-o no bolso esquerdo
de seu paletó. Antes e depois de embolsar os 3 000 reais de entrada, Marinho
narra detalhes operacionais dos esquemas que patrocina nos Correios. Conta em
que negócios é mais fácil roubar, quais os porcentuais de
propina mais adequados para cada negócio e como os pagamentos podem ser
feitos. "Várias formas", ensina. "Dólares, euros, tem esquema de
entrega em hotéis. Se é em reais, tem gente que faz ordem de pagamento,
abre conta." Nos trechos mais relevantes da conversa,
Maurício Marinho explica que está ali em nome de um partido, o PTB,
e sob ordens de um político, o deputado Roberto Jefferson, presidente do
PTB. "Ele me dá cobertura, fala comigo, não manda recado", diz Marinho,
mostrando toda sua intimidade com o cardeal petebista. "Eu não faço
nada sem consultar. Tem vez que ele vem do Rio de Janeiro só para acertar
um negócio. Ele é doidão." Em entrevista a VEJA, concedida
através de uma ligação de celular, Marinho disse que não
é filiado a nenhum partido e alegou que mal conhece Roberto Jefferson,
a quem teria encontrado só duas vezes. "Uma vez no aeroporto e outra num
evento, há um ano, alguma coisa do partido", disse ele. Na fita, a realidade
é outra. Marinho chefia um departamento subordinado à diretoria
de administração dos Correios. Desde o ano passado, o diretor de
administração é Antonio Osório Batista, ex-deputado
do PTB da Bahia, que chegou ao cargo por indicação de Roberto Jefferson.
Na conversa gravada, Marinho conta que o diretor, um assessor e ele próprio
integram um mesmo grupo e executam uma mesma missão para um mesmo patrão.
"Nós somos três e trabalhamos fechado.
Os três são designados pelo PTB, pelo Roberto Jefferson", comenta
o funcionário. "É uma composição com o governo. Nomeamos
o diretor, um assessor e um departamento-chave. Eu sou o departamento-chave. Tudo
que nós fechamos o partido fica sabendo." Será que Maurício
Marinho, querendo parecer mais importante do que de fato é, começou
a inventar? VEJA checou os episódios a que ele faz referência na
conversa e, nos casos verificados, conclui-se que ele não tinha intenção
alguma de projetar uma imagem falsa para seu interlocutor. A certa altura, ele
conta que, depois de dois anos de luta, o PTB finalmente vai nomear o diretor
de tecnologia dos Correios. "O novo diretor é da nossa agremiação.
Quem vai cobrir a diretoria de tecnologia é o Fernando Bezerra, líder
do PTB no Senado, com o apoio do Roberto Jefferson." E quem será o diretor?
"O Ezequiel", diz Marinho. Na semana passada, o ministro das Comunicações,
Eunício Oliveira, confirmou a VEJA que o novo diretor de tecnologia será
Ezequiel Ferreira de Souza. "Recebi da Casa Civil a determinação
de trocar o diretor de tecnologia por uma indicação do PTB, feita
pelo senador Fernando Bezerra", informou o ministro. Bingo. Em
outro trecho, Marinho fala sobre um projeto dos Correios para fornecer medicamentos
mais baratos a seus funcionários. Diz que haverá uma licitação
para contratar a empresa que se encarregará de comprar remédios
e credenciar farmácias. "É uma brincadeirinha de 60 milhões
de reais", contabiliza Marinho. Ele diz ainda que o edital foi preparado por sua
turma de tal forma que as vencedoras sejam quatro empresas indicadas por políticos
amigos. "Nós temos de atender às quatro que vieram indicadas pelo
deputado A e pelo senador B", afirma. "Ele (refere-se ao diretor de recursos
humanos, indicado pelo PMDB da Paraíba) é que vai fechar a participação.
O acerto é dele. Dessa participação dele, vai uma parte para
o nosso partido. A licitação vai estar saindo nos próximos
dias", completou. Na semana passada, apareceu no site dos Correios o edital de
convocação para empresas interessadas em participar da licitação
de 60 milhões de reais. Bingo, de novo.
Quando narra o empenho no esquema do deputado Roberto Jefferson, o homem que lhe
dá cobertura e não manda recado, Marinho também não
parece fantasiar. VEJA ouviu um ex-freqüentador da alcova petebista, que
já ocupou alto cargo federal por indicação do partido. Pedindo
para não ter sua identidade revelada, ele conta que Roberto Jefferson promove
reuniões periódicas com seus indicados para avaliar resultados financeiros.
"Chega a ser constrangedor. Nas reuniões se fala abertamente das possibilidades
de negócio, de quanto vai render e de como será feita a distribuição
do dinheiro. Não há meias palavras", diz. Há casos em que
são fixadas até metas. No fim do ano passado, por exemplo, o diretor
de uma estatal controlada pelo PTB recebeu a visita do corretor de seguros Henrique
Brandão, amigão de Roberto Jefferson. Na visita, Brandão
disse ao diretor que, a partir daquela data, ele tinha de arrecadar 400 000 reais
mensais para o PTB. Até ensinou como: fazer acordos com credores dispostos
a pagar comissão sobre o que recebessem. Procurado por VEJA, Henrique Brandão,
cujo escritório no Rio de Janeiro abriga uma peculiar coleção
de 200 corujas empalhadas, confirmou que é amigo de Roberto Jefferson,
mas disse que suas incursões políticas se limitam a defender os
interesses dos corretores de seguros. Fundado em
1945 pelo presidente Getúlio Vargas, o PTB de hoje não mantém
nem parentesco distante com sua origem trabalhista e seu discurso nacionalista.
Sufocado na ditadura militar (1964-1985), o partido só voltou ao cenário
político nos anos 80 e, na década seguinte, aliou-se ao então
presidente Fernando Collor, levado pelas mãos de José Carlos Martinez,
morto num desastre aéreo. O deputado Roberto Jefferson, que é filiado
ao PTB há mais de vinte anos, celebrizara-se pelo empenho com que integrou
a tropa de choque de Collor. Desde o impeachment, o PTB participa de todos os
governos, sempre beliscando um cargo aqui, outro cargo ali. Agora, no governo
petista, porém, adquiriu força e vigor ímpares. Estima-se
que o PTB tenha hoje cerca de 2 000 cargos de confiança no governo, mesma
cifra sob controle do PL do vice-presidente José Alencar. O mais vistoso
é o Ministério do Turismo, ocupado por Walfrido Mares Guia, cujo
orçamento é de 1 bilhão de reais. Mas, além do ministro,
o PTB tem outros cargos valiosos. Nos escalões
superiores, os petebistas ocupam mais de uma dúzia de cargos. Entre eles,
há potências como a presidência da Eletronorte, ocupada pelo
correligionário Roberto Salmeron. Uma das três maiores estatais elétricas
do país, a Eletronorte tem mais de 5 000 funcionários e um orçamento
de 940 milhões de reais. O PTB também cravou sua bandeira na gorda
diretoria financeira da Transpetro, que cuida da frota que transporta o petróleo
brasileiro e tem 350 milhões de dólares em investimento. O diretor
financeiro da Transpetro, Álvaro Gaudêncio Neto, também faz
parte da comissão que comanda a licitação para a compra de
42 petroleiros, aquisição de 1,9 bilhão de dólares.
O PTB tem, ainda, a diretoria de operações e logística da
BR Distribuidora, ocupada por Fernando Cunha, pela qual passam negócios
de mais de 800 milhões de reais por ano. Somando-se os cargos de alto escalão,
incluindo uma portentosa vice-presidência da Caixa Econômica Federal,
o partido tem sob seu comando 14,5 bilhões de reais fortuna equivalente
à metade do PIB do Uruguai. Com tanto terreno
ocupado no governo petista, o PTB já protagonizou outros casos de corrupção.
Em julho de 2003, seu indicado para a diretoria financeira do Departamento de
Infra-estrutura de Transportes, Sérgio Pimentel, foi demitido sob a suspeita
de que vinha cobrando propina para liberar pagamentos do órgão.
Em setembro do ano passado, o PTB apareceu no centro de outro escândalo.
VEJA noticiou que o PT comprara o apoio do PTB, pagando 150 000 reais a cada deputado.
O homem da mala, que se encarregou de levar a primeira parcela do pagamento aos
deputados, foi o senhor Emerson Palmieri, que já foi tesoureiro do PTB.
Palmieri é personagem tarimbado em histórias esquisitas. Em 2002,
quando o jornal Folha de S.Paulo revelou a existência de um caixa
dois do então prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, Palmieri aparecia
como beneficiário de 560 000 reais. Palmieri era um dos coordenadores da
campanha presidencial de Ciro Gomes, que o afastou depois do escândalo.
Hoje, reabilitado pelo PT, ele é diretor de administração
e finanças da Embratur, cargo que controla 165 milhões de reais.
O que andará fazendo Palmieri com poder sobre tanto dinheiro público?
Ninguém perde por esperar. Na origem da
praga da corrupção no governo estão os 25 000 cargos de confiança
no governo federal, que são ocupados por indicação política.
Estima-se que, do total, os petistas ocupem 16 000 cargos. Os outros 9 000 estão
sob o controle dos partidos aliados. Se, por hipótese, 95% dos que batalharam
para ocupar esses postos foram movidos por objetivos íntegros, pelo interesse
de fazer política à luz do dia e executar idéias defendidas
nos programas de seus partidos, ainda assim haveria 1 250 cargos nas mãos
de pilantras. É uma floresta de cargos. A forma mais eficaz de evitar que
esse festival de irregularidades prossiga é reduzir o número monumental
de 25 000 cargos de preenchimento político todos eles, um a um,
controlados pelo chefe da Casa Civil, o ministro José Dirceu. Na Inglaterra,
cada novo governo dispõe de algo em torno de 100 cargos para preencher.
Na França, o número não passa de 1 000. Nos Estados Unidos,
são 5 000. "A superdimensão da patronagem no Brasil gera distorções
perigosas, abre a porta para a corrupção, para o nepotismo e quebra
a rotina da administração, o que aumenta a ineficiência do
Estado e os gastos públicos", analisa o cientista político Jairo
Nicolau, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, o Iuperj.
As intenções espúrias são
tão escancaradas que, nos últimos anos, até os cargos preferidos
foram mudando e sempre por razões pecuniárias. No primeiro
governo tucano, por exemplo, os alvos prediletos eram estatais com farta carteira
de investimentos e aquelas que seriam objeto de privatização. Atualmente,
em função do rígido ajuste fiscal implementado pelo ministro
Antonio Palocci, o interesse dos políticos migrou para cargos que ficam
fora do alcance do contingenciamento do Orçamento. É o caso da Eletrobras,
Furnas, Correios, Itaipu, Infraero, Petrobras, todas empresas com autonomia orçamentária.
Antes, o Ministério dos Transportes e suas autarquias eram cobiçadíssimos
pelos políticos tanto que, nessa área, havia um feudo indomável
do PMDB. Era uma época em que esses órgãos recebiam cerca
de 50% do que se previa no Orçamento. Hoje, os políticos nem falam
mais de órgãos nos Transportes. Examinando-se o Orçamento,
descobre-se por quê: a liberação orçamentária
atualmente mal passa de 10%. Entre os cargos preferidos hoje, incluem-se ainda
postos nos ministérios da Saúde e da Educação. Só
porque administram verbas cujo repasse é obrigatório.
Com um punhado de cargos e montanhas de dinheiro, o PTB, mesmo assim, não
está satisfeito com seu quinhão no governo. No vídeo em que
achaca dois empresários, Maurício Marinho diz que o esquema ainda
é malfeito. "O partido é muito desorganizado", reclama. Para enfrentar
as próximas eleições, ele defende que a logística
da propina seja planejada com antecedência. "Nós temos de ver quantos
vão ser os candidatos, o que é que vamos dar pra cada um, o que
é que compete aos Correios, à Infraero, à Eletronorte, à
Petrobras." Em tempo: o PTB tem apaniguados ocupando cargos em cada uma das quatro
empresas citadas. Em seguida, Marinho conta seus planos de assumir, ele mesmo,
uma diretoria dos Correios em abril do ano que vem, quando muitos deixarão
os cargos para se candidatar nas eleições. Na semana passada, porém,
quando VEJA já investigava o caso de corrupção em que se
envolveu, Marinho foi afastado da chefia do departamento pelo diretor Osório
Batista, o ex-líder do PTB baiano. "Ele é um profissional competente,
com currículo espetacular", diz Osório Batista. Então por
que foi afastado do cargo? Problemas de saúde. "Sou diabético e
estou tratando do fígado", explicou Marinho. Será que o deputado
Roberto Jefferson sabia disso? Procurado por VEJA, o deputado preferiu manter
silêncio.
A QUADRILHA
Assista ao trecho: 56k
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Aqui,
Maurício Marinho descreve quem são os principais operadores do PTB
dentro dos Correios: "Nós somos três e
trabalhamos fechado. Os três são designados pelo PTB, pelo Roberto
Jefferson. É uma composição com o governo. Nomeamos o diretor,
um assessor e um departamento-chave. Eu sou departamento-chave.
Tudo o que nós fechamos o partido fica sabendo". |
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A DEMOCRACIA INTERNA
Assista ao trecho: 56k
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Neste
trecho, Maurício Marinho comenta como as informações sobre
os "acertos" são partilhadas entre os membros da quadrilha:
"Tudo o que é feito aqui tem a parte do presidente, do partido. (...) Nós
temos que ver qual é o tipo de acerto. Tenho que comunicar a ele
(refere-se a Roberto Jefferson), ao diretor (refere-se ao diretor de administração,
Antonio Osório Batista). Todo mundo tem que participar sabendo o que
está sendo feito". | |
O CHEFE
Assista ao trecho: 56k
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Maurício Marinho deixa claro, aqui, que está a serviço do
PTB e que seu chefe é o deputado Roberto Jefferson, presidente do partido:
"O PTB é que me dá cobertura. Ele
(refere-se a Roberto Jefferson) me dá cobertura, fala comigo, não
manda recado. (...) Eu não faço nada sem consultar. Tem vez
que ele (Jefferson) vem do Rio de Janeiro só para acertar um negócio.
Ele é doidão!" | |
OS HOMENS DO CHEFE
Assista ao trecho: 56k
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Nesta altura, Maurício Marinho conta quem são os dois principais
auxiliares do presidente do PTB, o deputado Roberto Jefferson, e diz que a nomeação
do irmão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, pode significar um entrave
para o esquema: "As duas pessoas-chave dele são o Osório
(refere-se ao diretor de administração dos Correios, Antonio
Osório Batista) e o presidente da Eletronorte (refere-se
a Roberto Garcia Salmeron).O único probleminha (na Eletronorte)
que ele tá administrando é que colocaram como diretor de engenharia
o irmão do Palocci". | |
OS VALORES DAS PROPINAS
Assista ao trecho: 56k
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Nesta passagem, Maurício Marinho explica que as propinas
cobradas variam de 3% a 10%, dependendo do tipo de negócio em questão:
"Quando é pregão com alta concorrência,
vou ser bem franco pra ti, é coisa pequena, de 3% a 5%. Em alguns casos,
tem que subir 3% (refere-se à parte que vai para escalões superiores),
fica 2%, isso dentro da empresa, isso é fechado. Quando é serviço,
10%. Consultoria é ajustado antes, a gente senta e conversa..." |
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AS FORMAS DE PAGAMENTO
Assista ao trecho: 56k
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Maurício
Marinho explica como as propinas que ele cobra podem ser pagas, deixando claro
que todas as formas são igualmente aceitas: "Aquilo
que eu acerto é comigo. Eles (refere-se a quem paga as propinas)
fazem de várias formas: dólares, euros, tem esquema de entrega em
hotéis. Se é em reais, tem gente que faz ordem de pagamento, abre
conta..." | |
LOCAL DE PAGAMENTO
Assista ao trecho: 56k
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Para
tranqüilizar seu interlocutor, Maurício Marinho explica que os "acertos"
podem ser feitos em vários escalões dos Correios, mas adverte que
é recomendável tomar "muito cuidado" para que as negociações
fiquem sob sigilo: "Tem gente que vem e acerta
aqui, acerta lá. Não tem problema nenhum. (...) Vamos conversar
mais ou menos às 18, depois das 18, que acabou o expediente e o pessoal
vai embora, fica só a secretária, depois vai embora também
e acabou. Durante o dia é meio complicado. (...) A gente tem muito receio
de determinadas reuniões fora daqui" | |
APENAS UM EXEMPLO Para
dar uma idéia sobre a amplitude de seu trabalho, Maurício Marinho
comenta que, encarregado de elaborar um edital, ele precisava direcioná-lo
de modo a beneficiar as quatro empresas indicadas por parlamentares amigos. O
edital prevê a compra de medicamentos a ser fornecidos aos servidores dos
Correios: "Nós temos que atender quatro.
As quatro (empresas) que vieram indicadas por deputado A, senador B. Brincadeira
de 60 milhões pra começar a conversa". | |
ACHAQUE
ORGANIZADO
Assista ao trecho: 56k
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Neste trecho, Maurício Marinho reclama que o PTB não
rouba de forma organizada. Ele defende que cada indicado do partido no governo
federal deveria saber exatamente sua meta de recolhimento de propinas:
"Estou preocupado com o ano que vem. O partido é
desorganizado. (...) O que compete aos Correios, à Infraero, à Eletronorte,
à Petrobras?" | |
TAMANHO DO ESQUEMA
Assista ao trecho: 56k
| 100k | 200k Nesta
frase, Maurício Marinho informa que os achaques do PTB, além de
nos Correios, ocorrem em outras empresas públicas:
"Nós temos outras dezoito empresas de porte nacional".
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