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Fonte: Revista Veja - http://veja.abril.com.br/250505/p_038.html
Corrupção
Diga-me com quem anda... ...que
direi quem você é, a menos que faça de público
a diferença. Em vez disso, Lula se solidariza com o PTB e Roberto Jefferson
e, assustado e atônito, mobiliza o governo para impedir a criação
da CPI dos Correios 
Por André Petry
Ed Ferreira/AE  |
UMA COMPANHIA INCÔMODA
Jefferson e Lula: com reforma administrativa e reforma política
efetivas, talvez nunca estivessem lado a lado |
A reportagem de VEJA mostrando que o PTB do deputado
Roberto Jefferson organizou uma rede de corrupção nos Correios deixou
o Palácio do Planalto atônito e por mais de um motivo. O primeiro
temor do governo, diplomaticamente dissimulado em público, é que
apareçam novos tentáculos de roubalheira no aparato estatal, além
do PTB e dos Correios. Um caso já apareceu. É a pressão feita
pelo PTB para extorquir uma mesada de 400.000 reais em outra estatal, o Instituto
de Resseguros do Brasil (veja reportagem).
Outro receio do governo é que esses tentáculos possam enlaçar
também estrelas do próprio PT, principalmente aquelas mais ligadas
à área financeira do partido. Movido por esse temor, que em alguns
momentos da semana passada beirou o pânico, o Palácio do Planalto
deslanchou sua maior mobilização no Congresso desde a posse com
a finalidade de barrar a CPI dos Correios (veja
reportagem). É uma pena. A investigação parlamentar,
se sair, dará uma dupla contribuição ao país e ao
Planalto: poderá revelar a extensão das falcatruas na máquina
pública e ajudar a expulsar as más companhias do governo.
A CPI dos Correios, porém, é apenas um dos
instrumentos necessários para enfrentar o assunto. Na base da crise atual
está a ausência de duas reformas. Uma é a reforma administrativa,
que reduziria o escandaloso número de 20.000 cargos de confiança
na máquina federal, o que sempre atiça o apetite daqueles que entram
na política com motivações inconfessáveis. Quanto
menos cargos houver no balcão da barganha, mais reduzido será o
espaço para a pilantragem. A outra é a reforma política,
orientada para dar um mínimo de organização e racionalidade
ao sistema atual, fortalecendo os partidos e a fidelidade partidária. Com
partidos sólidos e políticos compromissados com suas legendas, a
tendência é que haja menos fisiologismo, menos chantagem política
e, portanto, menos corrupção. O governo Lula, como os anteriores,
tem sua parcela de culpa pela situação atual. Tivesse se dedicado
a fazer as duas reformas, Lula não estaria hoje ao lado da constrangedora
figura de Roberto Jefferson. Nem precisaria dar a constrangedora declaração
da semana passada. "Nós temos de ser parceiros, e parceiro é solidário
com seu parceiro", disse Lula, ao prestar solidariedade a Roberto Jefferson. Ora,
parceiros de quê, presidente?
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